quarta-feira, 10 de março de 2021

Desafios de física 1.0

Questão 1)- (ITA 1999) Um relógio de pêndulo, construindo de um material de coeficiente de dilatação linear α, foi calibrado a uma temperatura de 0 °C para marcar um segundo exato ao pé de uma torre de altura h. Elevando-se o relógio até o alto da torre observa-se um certo atraso, mesmo mantendo-se a temperatura constante. 
Considerando R o raio da Terra, L o comprimento do pêndulo a °C e que o relógio permaneça ao pé da torre, então a temperatura para a qual obtém-se o mesmo atraso é:
a) 2h/αR
b)[h(2R + h)]/αR²
c) [(R + h)² - R]/αLR
d) [R(2h + R)]/[α(R + h)²]
e) (2R + h)/αR

Questão 2) - (ITA 1998) Um caixote de peso W é puxado sobre um trilho horizontal por uma força de magnitude F que forma um ângulo θ em relação a horizontal, como mostra a figura. Dado que o coeficiente de atrito estático entre o caixote e o trilho μ, o valor mínimo de F, a partir de qual seria possível mover o caixote é:



Questão 3)- (ITA 2008) Na figura, um bloco sobe um plano inclinado, com velocidade Vo. Considere μ o coeficiente de atrito entre o bloco e a superfície. Indique a sua velocidade na descida ao voltar a posição inicial.




Questão 4) (ITA 2005)


a) cos β=(1-  ρsp) cos α 
b) sen 2β= (1-  ρsp) sen 2α 
c) sen 2β= (1 +  ρsp) sen 2α
d) sen 2β= sen 2α/(1 +  ρsp) 
e) cos 2β= cos α/(1 +  ρsp) 

Resoluções:
Questão 1)-(ITA 1999)
I) De início, o tempo marcado no pêndulo a uma altura h e temperatura constante é:

T=2π (L/g)

Sendo g= GM/(R +h)², teremos
T= 2π √{L/[GM/(R +h)²}
T= 2π √{(R + h)²L/ GM}
T=2π(R + h)(L/GM) (eq.i)

II) Considerando o pêndulo na superfície da Terra (h=0) e com temperatura diferente de °C (logo com L' diferente de L por dilatação linear), teremos o seguinte período
T=2π(R + h)√[L'/GM]

Sendo L'= L(1 + α∆T) e ∆T=T - 0= T.
T'=2πR√[L'/(GM)]
T'=2πR√{[L(1 + αT)]/(GM)} (eq.ii)

III) Visto que a questão estabelece que as duas situações trabalhadas apresentam o mesmo atraso e, consequentemente, o mesmo período, eq.ii= eq.i. Com isso, teremos:
T'=T
2πR√{[L(1 + αT)]/(GM)}2π(R + h)(L/GM)

Simplificando:
R√{[L(1 + αT)]/(GM)}(R + h)(L/GM)

Elevando os termos ao quadrado

R² [L(1 + αT)]/(GM)= (R + h)² L/(GM)

Simplificando novamente:
R² + R²αT= R² + 2Rh + h²
R²αT= h(2R + h)
T= h(2R + h)/αR²

Resposta: Item b

Questão 2)- (ITA 1998)
I) Analisando as forças no sistema, teremos as seguintes relações:




N= W + Fy= W + Fsen θ
Fat=μ N
Fat= Fcos θ
 
III) Conhecidas as forças atuantes no caixote, teremos:
Fcos θ= Fat; Fat=μN=> Fcos θ= μN
Fcos θ= μ(W + Fsen θ)

Fcos θ=μW + μFsen θ
Fcos θ - μFsen θ= μW

F(cos θ - μsen θ)= μW
F= μW/(cos θ - μsen θ)

Dividindo o numerador e denominador da expressão por cos θ, teremos:

F=(μWsec θ)/(1 - μtg θ)

Resposta: Item d

Questão 3)- (ITA 2008)
I) De início, teremos as seguintes forças atuando no bloco:




Px=mgsen θ
N=mgcos θ
Fat=μN=μmgcos θ

A aceleração inicial do bloco será dada pela Segunda Lei de Newton:
F=ma= Px + Fat=mgsen θ + μmgcos θ
ma=mg(sen θ + μcos θ)
a= g(sen θ + μcos θ)

II) Considerando L a distância percorrida pelo bloco durante a subida e que sua velocidade é nula no ponto mais alto (visto que irá inverter o sentido de seu movimento posteriormente), teremos:

V²=Vo² - 2aL
0=Vo² -2g(sen θ + μcos θ)L
Vo² = [2g(sen θ + μcos θ)L]
L=Vo² /[2g(sen θ + μcos θ)]

III) Após a subida, haverá uma inversão de movimento e o bloco descerá. Logo, as forças atuantes nesse segundo movimento serão as mesmas, mas algumas apresentarão mudança de orientação. Sendo assim, teremos:





Px=mgsen θ
N=mgcos θ
Fat=μN=μmgcos θ

A aceleração final do bloco também será dada pela Segunda Lei de Newton. Logo:
F=ma'= Px - Fat=mgsen θ - μmgcos θ
ma'=mg(sen θ - μcos θ)
a'= g(sen θ - μcos θ)

IV) Visto que o bloco percorre a mesma distância L, a velocidade dele será:
V'²=V² + 2a'L
V'²=0 + 2g(sen θ - μcos θ)L

Substituindo L
V'²=2g(sen θ - μcos θ)L
V'²=2g(sen θ - μcos θ) •{Vo²/[2g(sen θ + μcos θ)]}
Simplificando
V'²= Vo² • [(sen θ - μcos θ)/(sen θ + μcos θ)]
V'= Vo • [(sen θ - μcos θ)/(sen θ + μcos θ)]

Resposta: Item b

Questão 4)- (ITA 2005)
I) Inicialmente, o projétil está sujeito apenas a força peso. Logo, seu alcanço será dado por:

A= (Vo² sen 2α)/g

II) Quando o sistema é preenchido com o superfluido, o projétil estará sujeito ao empuxo desse último e ao seu próprio peso. Logo, a gravidade aparente do sistema será:

m gap = P - E= mg - ρsV g


Sendo m=ρp

ρpV gap pV g - ρsV g

Simplificando:

ρpgap=g (ρp -  ρs)

gap=g (ρp -  ρs)/ρp

O alcance do projétil nessa situação será:

A'= (Vo² sen 2β)/gap 

A'=  (Vo² sen 2β)/[g (ρp -  ρs)/ρp]

A'= ρp(Vo² sen 2β)/[g (ρp -  ρs)]

III) Visto que a questão diz que os alcances obtidos nas duas situações são iguais, teremos A'=A. Logo:

A'=A

ρp(Vo² sen 2β)/[g (ρp -  ρs)]= A= (Vo² sen 2α)/g

Simplificando:

ρp(sen 2β)/[(ρp -  ρs)]= (sen 2α)

(sen 2β)= (sen 2α) [(ρp -  ρs)/ρp]

(sen 2β)= (sen 2α) [(1-  ρsp)]

Resposta: Item b

Agradecimentos:

Agradeço a todos que prestigiaram o meu blog e espero que gostem das atuais e futuras postagens.  Gostaria também de agradecer ao seguidor Lucas Freire por ter sugerido o Desafios de Física há um tempo. Apesar de ter demorado um pouco para elaborar essa ideia, consegui fazê-la. 
Quem tiver dúvidas, pode comentá-las. Espero ter ajudado, principalmente em meio a esta situação da pandemia. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Arco metade do seno, cosseno e tangente- demonstração geométrica

Introdução:

No estudo da trigonometria, as fórmulas de adição e subtração de arcos são essenciais, visto que facilitam o cálculo do seno, cosseno e tangente dos arcos. Nesse mesmo contexto, existem as fórmulas de arco metade. Nesse artigo, será apresentada uma maneira de chegar nessas fórmulas.

Demonstração:

I) Considere o triângulo isósceles ABC na figura abaixo:



Pela Lei dos Cossenos, teremos:

L²= x² + x² - 2 • xx• cos (α)
L²= 2x² - 2x² • cos (α)
L²= 2x² • (1- cos (α)) (eq.i)

II) Traçada a altura do triângulo como na figura abaixo, teremos por trigonometria nos triângulos ABH e AHC:



sen (α/2)= BH/ AB= HC/AC= (L/2)/x= L/2x => L= 2x • sen (α/2) 

Elevando os termos ao quadrado
L²= 4x² • sen² (α/2)  (eq.ii)


III) Visto que L²=L², teremos eq.ii=eq.i. Assim:
L²=L² => 4x² • sen² (α/2)= 2x² • (1- cos (α))

Simplificando a expressão:

• sen² (α/2)= (1- cos (α))

sen (α/2)= ±[(1- cos (α))/2]

IV) Para obtermos cos (α/2), substituiremos sen² (α/2)= 1 - cos² (α/2) na expressão 
 sen² (α/2)= (1 - cos (α)). Com isso, teremos:

• sen² (α/2)= (1- cos (α))
• (1 - cos² (α/2))(1- cos (α))
2 - 2cos² (α/2)= 1 - cos (α
2 - 1  + cos (α) = 2cos² (α/2)
1 + cos (α) = 2cos² (α/2) => cos (α/2)= ±[(1 + cos (α))/2]

cos (α/2)= ±[(1 + cos (α))/2]

V) Para obtermos tg (α/2), basta dividirmos sen (α/2) por cos (α/2):

tg (α/2)=[sen (α/2)]/[cos (α/2)]
tg (α/2)=±[(1- cos (α))/2]/±[(1 + cos (α))/2]

tg (α/2)=±[(1 - cos (α))/(1 + cos (α))]

Agradecimentos:

Agradeço a todos que prestigiaram o meu blog e espero que gostem das atuais e futuras postagens.  Desejo também a todos os leitores um ano de 2021 cheio de felicidades e saúde.
Quem tiver dúvidas, pode comentá-las. Espero ter ajudado, principalmente em meio a esta situação da pandemia. 



domingo, 10 de janeiro de 2021

Demonstração: Soma dos ângulos internos de um triângulo

 Introdução:

Quem estuda um pouco de geometria plana (ou euclidiana) sabe que a soma dos ângulos internos de um triângulo qualquer medem 180 graus. Mas, afinal, por que isso sempre é verdade?
O objetivo desta postagem é esclarecer isso com a demonstração abaixo.

Demonstração: 

I) Considere um triângulo ABC qualquer e os seus ângulos internos.




II) Considere uma reta r, passando no ponto A de modo que seja paralela ao lado BC do triângulo.



 

III) Como pode ser observado na figura acima, obtém-se ângulos de modo que x + α + z= 180°
                          
IV) Visto que o lado BC do triângulo e a reta r são paralelos, os ângulos z e γ  são alternos internos e, consequentemente, são congruentes. Pela mesma razão, β e x são congruentes. Ou seja, z≡ γ e  x≡ β. Com isso, teremos:

x + α + z= β + α + γ180°
β + α + γ180° (c.q.d)

*c.q.d significa "como queríamos demonstrar".

Agradecimentos:

Agradeço a todos que prestigiaram o meu blog e espero que gostem das atuais e futuras postagens. Desejo também a todos os leitores um ano de 2021 cheio de felicidades e saúde.
Quem tiver dúvidas, pode comentá-las. Espero ter ajudado, principalmente em meio a esta situação da pandemia. 


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Desafios de matemática 10.0

Questão 1)(ESPCEX) O valor de sen x + cos x, sabendo que 3sen x + 4cos x= 5, é:
a) 3/5
b) 4/5
c) 1
d) 6/5
e) 7/5

Questão 2)Seja ABC um triângulo equilátero e suponha que M e N são pontos pertencentes ao lado BC tais que BM = MN = NC. Sendo α a medida, em radianos, do ângulo MÂN, então o valor de cos α é
a) 13/14
b) 14/15
c) 15/16
d) 16/17
e) 17/18

Questão 3) (OMABC-SP) Seja f:R => R uma função definida por f(x)= 6 sen (x) + 8 cos (x) + 1. Pode-se afirmar que os valores máximo e mínimo são respectivamente:
a) 15 e 14
b) 15 e 0
c) 7 e -11
d) 11 e -9
e) 12 e 10

Resoluções:
Questão 1)
I) Conhecida a relação fundamental da trigonometria e a equação dada, obtemos o seguinte sistema:
3sen x + 4cos x= 5 (equação I)
sen² x + cos² x= 1 (equação II)

II) Isolando sen x na equação II
sen² x= 1 - cos² x
sen x= (1 - cos² x)

III) Substituindo o valor obtido na equação I, teremos:
•[(1 - cos² x)] + 4cos x= 5 
•[(1 - cos² x)]= 5 - 4cos x

IV) Elevando ambos os membros da igualdade ao quadrado
• (1 - cos² x)= 25 - 40cos x + 16cos² x
9 - 9cos² x= 25 - 40cos x + 16cos² x => 25cos² x -  40cos x  + 16= 0

V) Resolvendo a equação obtida:
∆=b² - 4ac
∆=(-40)² - 4 • 25 • 16
∆= 1600 - 1600
∆= 0

cos x=   40 ± √0     40   = 4/5
               2 • 25          50

cos x= 4/5

VI) Substituindo o valor de cos x na equação II, teremos:
sen x= 3/5

VII) Somando os dois valores obtidos:

sen x + cos x= 3/5 + 4/5= 7/5
sen x + cos x= 7/5


Resposta: Item e

Questão 2)



I) Sendo L a medida do triângulo equilátero, teremos:

BM= MN=NC= L/3
AB=BC= AC= L (triângulo equilátero)

II) Recorrendo a lei dos cossenos no triângulo ABM, teremos:

AM²= L² + (L/3)² - 2 • • (L/3) • cos 60°
AM²= L² + (L/3)² - 2 • • (L/3) • (1/2) 
AM²= L² + (L²/9) - (L²/3)= (7L²)/9
AM=(L7)/3

III) AM= AN=(L7)/3, pois os triângulos ABM e ANC são congruentes.

IV) Aplicando a lei dos cossenos novamente no triângulo AMN, teremos:

(L/3)²= [(L7)/3]²  + [(L7)/3]²- 2 • [(L7)/3] • [(L7)/3] • cos α
(L²/9)= (7L²/9) + (7L²/9) - [14L²)/9]• cos α
(L²/9)= (14L²/9)- [14L²)/9]• cos α

Simplificando a equação:
 1= 14 - 14 • cos α
14 • cos α= 14 - 1= 13
cos α= 13/14

Resposta: Item a

Questão 3)
I) Para encontrar os valores  máximo e o mínimo da função, deve-se derivar a função e igualar a derivada a zero.

  d  (6 sen (x) + 8 cos (x) + 1)= 6 cos (x) - 8 sen (x)
 dx

Igualando a zero

6 cos (x) - 8 sen (x)= 0 => cos (x)= (4 sen (x))/3(eq.I)
                                                           

II) Substituindo o valor de (eq.I) na relação fundamental da trigonometria

sen² x + cos² x= 1
sen² x +[(4 sen (x))/3]²= 1
sen² (x) + 16sen² (x)/9= 1
25 sen² (x)/9= 1

Logo,
25 sen² (x)= 9 => sen (x)'= +0,6 e sen (x)"= -0,6

III) Substituindo em cos (x)

cos (x)'= 4/3 • (+0,6)= + 0,8
cos(x)"= 4/3 • (-0,6)= -0,8

IV) Substituindo estes valores em f(x), descobre-se que o máximo e mínimo serão:
-Máximo
f(x)'= 6 sen (x) + 8 cos (x) + 1= 6 • (0,6) + 8 • (0,8) + 1= 3,6 + 6,4 + 1= 11
f(x)'= 11
-Mínimo
f(x)"= 6 sen (x) + 8 cos (x) + 1= 6 • (-0,6) + 8 • (-0,8) + 1= -3,6 - 6,4 + 1= -9
f(x)"= -9

Resposta:Item d.

Agradecimentos:

Agradeço a todos que prestigiaram o meu blog e espero que gostem das atuais e futuras postagens. Desejo também a todos os leitores um feliz natal e um excelente ano novo.
Quem tiver dúvidas, pode comentá-las. Espero ter ajudado, principalmente em meio a esta situação da pandemia.